Sobre-endividamento - muitos dias tem o mês
Com a presente situação económica a degradar-se e com um constante aumento do custo de vida, mais a redução de uma parte do salário, em muitos casos de forma directa e para a maioria da população através do aumento de vários impostos directos e indirectos, a CGTP-IN não pode deixar de fazer alguns alertas sobre situações de sobre endividamento.
Ainda recentemente se fizeram sentir agravadas as consequências pelo facto de atingirem mais de 28 mil famílias que se tornaram-se insolventes devido à sua falta de liquidez pois deixaram de pagar os seus créditos bancários.
Este sintoma espelha os efeitos da crise levando a um incumprimento inevitável por quem, sem esperar, vê reduzirem os seus rendimentos ou cai no desemprego, mas é também por outros motivos como seja a reduzida informação dada na altura da compra ou empréstimo e pela constante oferta fácil do crédito muitas vezes usado por quem quer vender.
Para as famílias em dificuldades esta crise reflecte-se em números e estes estão em crescendo todos os anos. O Banco de Portugal revelou que em 2009 havia 636 mil famílias com empréstimos em falta de pagamento atempado e cujo crescimento em 2010 foi nas 28 mil famílias insolventes e devedoras sobretudo no crédito ao consumo.
Como o crédito às famílias continua a crescer em cerca de 10% ao ano em produtos de consumo e de habitação, é preciso que se tomem medidas preventivas que neste caso deve ser individualmente, para evitar a falência das próprias famílias usando a forma sustentada e sempre bem pensada antes de adquirir algo ou comprar usando o consumo a crédito. Pois esta contribui para a crise social e económica e os aumentos de juros que estão aí.
Por isso recomenda-se que os consumidores menos avisados procurem ajuda antes de entrarem em incumprimento nos créditos e que evitem endividar-se para pagar com outros créditos, porque quanto mais grave for o caso, mais difícil será a reestruturação dos contratos e a renegociação de novos acordos de pagamentos com as instituições financeiras.
É preciso um olhar atento sobre os mecanismos de aquisição de compras a crédito e os interesses dos seus intervenientes e protagonistas de forma a questionar sempre e a reflectir se não estamos perante uma prática que é muito usual em certos estabelecimentos para nos levar a preferir comprar a crédito coisa que para nós não seria ainda necessária.
Este interesse deve-se à excelente margem de lucro dado pelos esquemas de crédito ao consumo mostrando-nos valores mensais acessíveis para o consumidor sem este medir o resultado final do seu custo. Consumidor apanhado desprevenido é facilmente estimulado pelo próprio vendedor em comprar a crédito por mensalidades suaves. O vendedor na maioria das vezes está interessado na taxa juros que de forma indirecta o faz aumentar o seu lucro, através de acordos ou de investimento neste tipo de crédito ao endividamento faz-se sentir mais directamente no sector automóvel mas existe em muitas outras áreas de consumo.